Esme sempre viveu rodeada pelas palavras. Ainda pequena, seu pai a levava junto para o Scriptorium, o lugar onde, pouco a pouco, o primeiro Dicionário Oxford da Língua Inglesa tomava forma.
"'Scriptorium.' A palavra faz pensar em uma construção grandiosa, onde até o mais leve dos passos ecoaria entre um chão de mármore e um domo folheado a ouro. Mas era só um galpão de jardim, no quintal dos fundos de uma casa, em Oxford."
Certo dia, escondida embaixo da mesa de triagem, onde Esme costumava ficar quietinha enquanto o pai trabalhava, a menina observa uma ficha cair no chão, contendo uma palavra até então desconhecida para ela. Como se fosse um tesouro, Esme recolhe a ficha e a esconde num velho baú. A partir de então, passa os dias desejando que outras palavras sejam "perdidas" para que possa resgatá-las como antigos tesouros.
"O Scriptorium parecia um lugar mágico, assim como tudo que já fora e ainda seria guardado entre suas quatro paredes. (...) Olhei à minha volta e imaginei que o Scriptorium era a lâmpada de um gênio. Tão comum do lado de fora, mas do lado de dentro era cheio de magia. E existem coisas que nem sempre são o que parecem."



